De acordo com psicólogo norte-americano Davi Ausubel (2003 apud SANCHES, 2019, p. 34),

O conhecimento é significativo por definição. É produto significativo de um processo psicológico cognitivo (“saber”) que envolve a interação entre ideias “logicamente” (culturalmente) significativas, ideias, anteriores, (“ancoradas”)relevantes da estrutura cognitiva particular do aprendiz (ou estruturas dos conhecimentos deste) e o “mecanismo” mental do mesmo para aprender de forma significativa ou para  adquirir e reter conhecimentos.

Ao receber o aluno na porta da sala de aula faz se necessário compreender que, junto com a sua mochila, ele traz uma bagagem de conhecimento e uma individualidade que precisa ser respeitada e tratada de uma forma única, para que ele se sinta seguro e respeitado para dar início a uma nova etapa que inicia na sua vida.

Se a criança está feliz, ela aprende, ela faz (ROSSINI, 2012). Todo ser humano é assim, ao se sentir amado, protegido, querido e feliz alcança os seus objetivos, aprende, se sente capaz e como consequência tem-se o aprendizado que se torna prazeroso e contagiante.

A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e tão importante quanto qualquer outra, há muitos anos atrás professores estudam sobre a importância da afetividade para essa etapa de ensino, de acordo com o RCNEI (1998 p.13 e 14),

Considerando-se as especificidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas das crianças de zero a seis anos, a qualidade das experiências oferecidas que podem contribuir para o exercício da cidadania devem estar embasadas nos seguintes princípios: • o respeito à dignidade e aos direitos das crianças, consideradas nas suas diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, étnicas, religiosas etc.; • o direito das crianças a brincar, como forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação infantil; • o acesso das crianças aos bens socioculturais disponíveis, ampliando o desenvolvimento das capacidades relativas à expressão, à comunicação, à interação social, ao pensamento, à ética e à estética; • a socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas práticas sociais, sem discriminação de espécie alguma; • o atendimento aos cuidados essenciais associados à sobrevivência e ao desenvolvimento de sua identidade. A estes princípios cabe acrescentar que as crianças têm direito, antes de tudo, de viver experiências prazerosas nas instituições.

Não resta a menor dúvida que o respeito e o bem estar das crianças é fundamental para que o aprendizado aconteça. A afetividade é o combustível responsável por  acender a chama do desejo pelo aprendizado, ou seja, a afetividade não muda o conteúdo a ser ministrado pelo professor, mas é capaz de facilitar a compreensão, através de metodologias diferenciadas, pensando no aluno como um ser único, valorizando a sua realidade, respeitando o tempo e o espaço de cada criança, a sua singularidade, com muito carinho, paciência, dedicação e respeito. (PIAGET, 2014).

Cabe ao professor compreender que uma das funções de sua profissão é construir identidades humanas, pois ele é capaz de marcar a vida das crianças e, para que essas marcas sejam positivas, a inclusão precisa ser trabalhada diariamente. Os professores são os mediadores do conhecimento e antes de tudo precisa gostar de gente e estar aberto a todo o tipo de diversidade, lembrando sempre que todos os indivíduos são diferentes e, para que a inclusão ocorra, faz-se necessário cada indivíduo respeite o tempo e o espaço de cada um. Dessa forma, para que a criança compreenda que pertence ao meio no qual está inserida e o que o professor se importa com o bem estar dessa criança, as atividades propostas precisam abranger todos os alunos, é necessário que todos tenham espaço, possam se expressar e ser criança. Sendo assim, inclusão é direito da criança e a escola não tem o direito de beneficiar apenas alguns alunos, todos têm o mesmo direito. Todas as crianças têm sonhos e o professor precisa compreender o que o aluno tem a lhe dizer. (SANCHES, 2019).

Rossini (2012) destaca que a relação professor x aluno vai muito além da sala de aula, ultrapassa todas essas paredes e vai para uma vida inteira. Quando o pensamento é criança pequena a visão do adulto precisa ser ainda mais atenta , pois para que a afetividade realmente aconteça faz-se necessário resgatar pequenas tradições do nosso dia a dia, que estão se perdendo nesse mundo de tanta correria e desenvolvimento tecnológico, ou seja, para que uma criança se sinta verdadeiramente segura é necessário existir uma parceria entre escola e família.

Complementando, ainda de acordo com Rossini (2012), os pais, desde cedo, precisam assumir o seu papel, estarem prontos para atender as necessidades básicas dos seus filhos e, sem protecionismo, precisam estar sempre atentos às mudanças que ocorrem na vida das crianças.

Destarte, é de extrema importância que os alunos saibam que, ao chegar em casa, a família estará esperando e com disponibilidade para conversar e mostrar os caminhos corretos que precisam percorrer para ser tornarem adultos coerentes, capazes de discernir entre o certo e o que errado. As crianças precisam saber que existe uma relação de respeito entre o professor e a família. (ROSSINI, 2012). 

Ainda, de acordo com Rossini (2012), destaca-se qualidades do que é ser professor (2012, p.44): “deve ser qualidades humanas imprescindíveis num educador de hoje: equilíbrio emocional, responsabilidade, caráter, alegria de viver, ética e principalmente gostar de ser professor”. 

O principal sentimento do professor deve ser o amor, o amor pela profissão e pelas crianças, pois quem ama educa, e o aluno gosta do professor que educa, daquele que, impõe limites, limites com respeito, do respeito mútuo, sem gritos, sem castigos, apenas lhe ensinando o que é certo e o que é errado, mostrando sempre que o errado é apenas aquela atitude não a criança ao todo, que a criança é amada e o que o professor se importa com ela.

Para que o aluno se sinta capaz, o professor precisa mostrar que ele é capaz. Sendo assim, afetividade é transmitir confiança, pequenas tarefas, (como ajudante do dia, ser líder de uma brincadeira, buscar um material na secretária, ajudar a formar uma fila ou um grupo), propiciar meios para que o aluno se sinta importante no ambiente ao qual está inserido, e como ele é único. Essas pequenas tarefas poderão fazer com que o aluno se aproxime e tenha um maior interesse em aprender, interaja com os demais alunos e trabalhe a timidez e o mau comportamento. (SANCHES, 2019).

Conforme Sanches (2019), um outro equívoco cometido por alguns educadores é falta de empatia, de ser colocar no lugar do aluno na correção de atividades, afinal ninguém gosta de ser corrigido em público, e o mesmo ocorre também com crianças de 5 e 6 anos. Dessa forma, o professor poderá criar um bloqueio na cabeça da criança, caso não tenha a consciência de trabalhar as dificuldades do aluno no individual, sem expor a criança no coletivo.

Sanches (2019) ainda destaca que: ser for valorizar, parabenizar vamos para o coletivo, se for para corrigir, vamos chegar perto da criança, no atendimento individual, voz suave, serena, olho no olho. Quando se expõe o aluno que errou no coletivo, priva-se o aluno da possibilidade de superação e, dessa forma, ele terá medo de arriscar novamente, ficará inseguro e o aprendizado sairá prejudicado. Esse bloqueio poderá levar para toda a vida, será um aluno frágil e possivelmente um adulto frágil. (SANCHES, 2019).

Ainda de acordo com Sanches (2019, p.114) “Nas situações em que ele tira a esperança do aluno de realizar alguma coisa. Quando o professor enfatiza a incapacidade ou confere algum rótulo ou estereótipo. Você não é bom nisso!”. É preciso que os professores tenham sabedoria nas palavras e nas ações, um julgamento nessa fase é muito sério. Os professores da Educação Infantil tendem a marcar e muito a memória das crianças, pois é nesse período que ocorre o descobrimento do mundo, onde são tomadas as primeiras decisões pelas crianças, período que eles observam a vida, muitos até escolhem ser professor, inspirado no professor na Educação Infantil. (SANCHES, 2019).

O texto apresentado é um trecho da monografia “

O texto apresentado é um trecho da monografia “EDUCAÇÃO INFANTIL – RELAÇÃO PROFESSOR X ALUNO:  A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE PARA CRIANÇAS DE 5 a 6 ANOS” – Simone da Conceição Duarte Shunk do Nascimento. Especialista em Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

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