METODOLOGIAS ATIVAS NA FORMAÇÃO CRÍTICA DO ESTUDANTE DE ENGENHARIA DA AQUICULTURA: O USO DA INSTRUÇÃO POR COLEGAS COMO RECURSO DIDÁTICO PARA A PROMOÇÃO DA APRENDIZAGEM

METODOLOGIAS ATIVAS NA FORMAÇÃO CRÍTICA DO ESTUDANTE DE ENGENHARIA DA AQUICULTURA: O USO DA INSTRUÇÃO POR COLEGAS COMO RECURSO DIDÁTICO PARA A PROMOÇÃO DA APRENDIZAGEM

MARIA CECÍLIA CABRAL RAMPE[1]

Repensar a prática pedagógica é fundamental para o professor que participa ativamente do processo de elaboração do conhecimento de seus alunos, na qual a interposição e o intercâmbio são pressuposições fundamentais para que a aprendizagem ocorra. Todavia, a mudança no fazer pedagógico deve ocorrer de forma consciente e, sobre tudo planejada e, para tal, sugere-se opção por uma metodologia ativa.

Atualmente, é fundamental que as instituições de ensino superior e professores, repensem suas práticas pedagógicas, aliando a estas as tecnologias de informação e comunicação, pois a utilização desses recursos em de sala de aula, contribuirão para despertar nos alunos o interesse pelo conteúdo proposto, com a possibilidade de facilitar a compreensão dos assuntos, além de uma sala de aula mais ativa, participativa e interessante (MELO, 2017).

Contudo, para que as tecnologias da informação e comunicação sejam inseridas no processo ensino e aprendizagem como recurso, faz-se necessário ao professor adaptar-se às diferentes demandas educacionais oriundas das tecnologias da informação. Inovar na educação, portanto, envolve enfoques centrados no aluno e nas metodologias ativas de ensino e aprendizagem.

Em se tratando de Metodologia Ativa destaca-se que a principal característica é inserir o aluno como responsável por sua aprendizagem nas atividades propostas. Com a metodologia ativa busca-se maneiras diferenciadas de desenvolver o processo educacional, a partir de experiências simuladas ou baseadas na realidade, buscando soluções para os desafios oriundos das atividades da prática, em contextos diversos.

De acordo com Freire (2006) tem-se na metodologia ativa a concepção educativa de construção de processos baseados em ação-reflexão-ação, propiciando ao aluno uma postura ativa, relacionada ao seu aprendizado, em situações práticas de experiências, através de desafios apresentados e que lhe incentive a pesquisa e a descoberta de soluções, aplicáveis à realidade.

Destarte, destaca-se a potencialidade das metodologias ativas em despertar a curiosidade, à medida que insere aos alunos na teorização e propicia a busca por novos elementos, ainda não ponderados nas aulas ou na própria expectativa do professor, oportunizando aos alunos condições para expressar-se e apresentar o conhecimento em grupo.

Ressalta-se que, as metodologias ativas de ensino e aprendizagem, em consenso com as habilidades e competências dos docentes, contribuem para a qualidade da Educação Superior quando os estudantes tornam-se o centro da discussão, participantes ativos e protagonistas da construção do seu próprio aprendizado. Ao docente, destaca-se o papel de mediador nesse processo de elaboração de significados e consequente construção do conhecimento.

METODOLOGIAS ATIVAS NA GRADUAÇÃO

Quando o assunto é ensino superior, ressalta-se a importância do docente no processo ensino e aprendizagem, pois o que ainda se encontra são práticas onde o aluno é direcionado a dar respostas conceituais e estáticas, sem converter o conteúdo em práticas significativas, diferente da realidade dos alunos, sem oportunidades de construção de conhecimentos em relação ao que se está pretendendo ensinar e aprender (CASTRO, 1997).

Dessa forma, e de acordo com Castro (1997), ao docente cabe o papel de “[…] redimensionar a sua intervenção no processo de ensino e rever metodologias alternativas de trabalho […]” (p. 67). Tal ação possibilitará uma mudança de postura na área pedagógica perante os ideais de avaliação, superando momentos unívocos de atividades que valorizam o conteúdo quantitativamente, pois, habitualmente, quando o assunto é aprendizagem, “se pensa de forma prioritária ou mesmo exclusiva, nos resultados obtidos pelos alunos” (ZABALA, 1998, p.195). Tal fato acontece nas diferentes séries e os professores vivem uma problemática quanto ao processo da avaliação; avaliam para nota ou para melhoria da qualidade do ensino?

Busca-se, então, meios eficazes e eficientes de práticas docentes na graduação, que se enquadrem como ferramenta facilitadora para a formação crítica e reflexiva do aluno da universidade. Dessa forma, cita-se a metodologia ativa de aprendizagem como meio capaz de permitir aos graduandos adotarem posturas ativas em relação ao seu processo de ensino e aprendizagem, valorizando seus conhecimentos e experiências prévias, de forma que se tornem capazes de lidar com diferentes situações e contextos sociais.

De acordo com Freire (2006), denomina-se metodologia ativa a construção de procedimentos com visão educativa e pedagógica, capaz de estimular processos de ação-reflexão-ação.

Entende-se Metodologias Ativas, segundo Borges e Alencar (2014, p. 120) “como formas de desenvolver o processo do aprender que os professores utilizam na busca de conduzir a formação crítica de futuros profissionais nas mais diversas áreas”.

Ainda, de acordo Borges e Alencar (2014), utilizar metodologias ativas no processo ensino e aprendizagem possibilita o favorecimento da autonomia do graduando, aguça a curiosidade, instiga assumir opiniões individuais e coletivas, provenientes das atividades efetivas da prática social e de acordo com a realidade do estudante. Cita-se a problematização e a instrução por colegas dentre as Metodologias Ativas utilizadas, objetivando possibilitar ao graduando a conhecer e a reconhecer o objeto de estudo.

Sendo assim, quando o assunto é processo ensino e aprendizagem na graduação, bastaria o professor universitário apresentar um amplo conhecimento na área da disciplina ministrada para ser reconhecido como um bom profissional. Porém, é notório que cada vez mais o graduando tem uma bagagem grande de conhecimentos, personalidades cada vez mais definidas, em virtude de uma sociedade informativa e globalizada.

Muitos professores, ao se colocarem à frente de uma classe, tendem a se ver como especialistas na disciplina que lecionam a um grupo de alunos interessados em assistir a sua as aulas. Dessa forma, as ações que desenvolvem em sala de aula podem ser expressas pelo verbo ensinar ou por correlatos, como: instruir, orientar, apontar, guiar, dirigir, treinar, formar, amoldar, preparar, doutrinar e instrumentar. A atividade desses professores, que, na maioria das vezes, reproduz os processos pelos quais passaram ao longo de sua formação, centraliza-se em sua própria pessoa, em suas qualidades e habilidades. Assim, acabam por demonstrar que fazem uma inequívoca opção pelo ensino. Esses professores percebem-se como especialista em determinada área do conhecimento e cuidam para que seu conteúdo seja conhecido pelos alunos. (NOGUEIRA E OLIVEIRA, 2011 apud BORGES & ALENCAR, 2014, p. 125)

Dessa forma, surge a necessidade de o docente desenvolver diferentes competências e habilidades, com aulas inovadoras, uso de novas tecnologias da informação e comunicação, em busca da valorização da construção do conhecimento em detrimento da reprodução de informações e, para tal, faz-se necessário que o docente seja um profissional aberto a aprendizagem e que busque metodologias diferenciadas, de forma didática.

Assim, aprendizagem ativa ocorre quando o aluno interage com o assunto em estudo – ouvindo, falando, perguntando, discutindo, fazendo e ensinando – sendo estimulado a construir o conhecimento ao invés de recebê-lo de forma passiva do professor. Em um ambiente de aprendizagem ativa, o professor atua como orientador, supervisor, facilitador do processo de aprendizagem, e não apenas como fonte única de informação e conhecimento (BARBOSA; MOURA, 2013, apud MELO, 2017, p. 61).

Sendo assim, as metodologias ativas quando inseridas no processo ensino e aprendizagem, objetivando despertar a curiosidade dos alunos, ao trazer elementos novos, além da teorização, agrega diferentes valores, superando as expectativas até mesmo do professor.

Complementando, de acordo com Oliveira (2013 apud MELO, 2017, p. 62),

As ferramentas ativas de ensino podem ser usadas em qualquer disciplina e com estudantes de todas as idades, do ensino básico ao superior. Em algumas áreas do conhecimento como nas áreas de saúde, engenharia e arquitetura, em economia e administração esses conceitos já são mundialmente mais difundidos e implementados.

Todavia, situa-se as metodologias ativas como meio para colocar os graduandos no centro do processo ensino e aprendizagem, “contrapondo à posição de expectador” (ABREU, 2019). Com intuito de ativar o aprendizado dos graduandos, a metodologia ativa valoriza a prática e, a partir dela, registra a teoria, dando ao estudante a possibilidade de assumir o papel de “corresponsabilidade pelo seu aprendizado” (SOUZA; IGLESIAS; PAZIN-FILHO, 2014).

METODOLOGIA ATIVA DE APRENDIZAGEM BASEADA EM INSTRUÇÃO POR COLEGAS – PEER INSTRUCTION

Contemporaneamente, as metodologias ativas vêm de encontro a atender necessidades educacionais que vão além das paredes do ambiente escolar. Trata-se de pensar além das especificidades dos conteúdos registrados nas enciclopédias e buscar favorecimento da aprendizagem através das mídias e inovações tecnológicas, promovendo a atenção dos graduandos para os temas específicos de cada componente curricular, oferecendo meios que possam estimular a produção de conhecimentos, de forma crítica e analítica.

Utilizando-se de uma abordagem com enfoque construtivista, corrobora-se com a ideia de Diesel et al (2017, p. 283), ao citar o pensamento Freireano para explicitar o papel do professor, utilizando uma metodologia ativa:

[…] assegurar um ambiente dentro do qual os alunos possam reconhecer e refletir sobre suas próprias ideias; aceitar que outras pessoas expressem pontos de vista diferentes dos seus, mas igualmente válidos e possam avaliar a utilidade dessas ideias em comparação com as teorias apresentadas pelo professor. De fato, desenvolver o respeito pelos outros e a capacidade de dialogar é um dos aspectos fundamentais do pensamento Freireano.

Dessa forma, deve-se mitigar a ênfase dada a aprendizagem onde o papel do professor deixa de ser o de meramente ensinar, e passa-se a valorizar o de mediar a aprendizagem do graduando.

Contudo, e de acordo com Schell (2013 apud TOLEDO & LAGE, 2013), propõe-se como ferramenta para a aplicação da metodologia ativa para os cursos de graduação o método peer instruction (PI), ou instrução pelos colegas.

Em relação ao Peer Instruction, Melo (2017) esclarece:

Harvard introduziu o método Peer Instruction (PI), desenvolvido pelo Prof. Eric Mazur. O PI consiste em prover material de apoio de modo que o aluno possa estudar o conteúdo antes de frequentar a sala de aula. Com base no material estudado, o aluno responde um conjunto de questões, via um Learning Management System (LMS). O professor antes de ministrar a aula, verifica as questões mais problemáticas, e que devem ser trabalhadas em sala de aula. Durante a aula, as discussões são intercaladas com Concept Tests, destinados a expor as dificuldades que os alunos encontram. Estes testes são respondidos via sistema de resposta interativo, tipo clicker, de modo que a classe e o professor possam acompanhar o nível de compreensão sobre os conceitos em discussão. Antes de responder o teste, os alunos têm um ou dois minutos para pensar sobre a questão e formular suas próprias respostas. Dependendo da resposta, eles passam dois ou três minutos discutindo suas respostas em grupos de 3-4 alunos, na tentativa de chegar a um consenso sobre a resposta correta. Este processo obriga os alunos a pensarem sobre os argumentos a serem desenvolvidos, e permite que eles (assim como o professor) possam avaliar o nível de compreensão sobre os conceitos antes mesmo de deixar a sala de aula. Utilizando esta estratégia, foi verificado que os estudantes apresentam ganhos significativos na compreensão conceitual, avaliados com testes padronizados, bem como ganham habilidades para resolver problemas comparáveis aos adquiridos nas aulas tradicionais (MELO, 2017, p. 64)

            Em se tratando do Peer Instruction, o método exige dos alunos leitura, análise e reflexão antes da aula. Além do que, faz-se necessário constante comunicação entre docente e aluno, por meio de website, por exemplo, o que facilita o monitoramento do processo.

O Peer Instruction faz com que o estudante busque a fonte primária do conhecimento através de leitura prévia à aula, tirando o foco do processo de ensinoaprendizagem do momento da transmissão da informação, comportamento mais comum ainda na atualidade quando se trata do ensino superior, de um modo geral. Após, durante a aula, portanto em momento presencial do processo, promover-se-á a discussão dos temas abordados em grupos de alunos (PALHARINI, 2012 apud TOLEDO & LAGE, 2013, p. 6).

Ainda, de acordo com Palharini (2015), “o foco da metodologia proposta está em fazer com que os alunos empreguem a maior parte do tempo das aulas pensando ativamente sobre os conceitos, ao invés de ouvirem passivamente o professor expor aquilo que já está nos livros” (p. 58). Dessa forma, o Peer Instruction tem como desafio mobilizar os alunos para que estudem, seja individualmente ou em grupo, de maneira autônoma.

Vale ressaltar que a aplicação da Peer Instruction, em sala de aula, requer adaptações, a partir de um sistema de emissão de respostas pelos educandos e resposta imediata pelos docentes. A partir daí, pode-se utilizar diferentes ferramentas permitidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que cumprirão esse papel.

Tecnologia da Informação e Comunicação

Buscando romper com o tradicional conceito de que só se aprende com repetições e técnicas, que na maioria das vezes são mecanizadas, as Tecnologias de Informação e Comunicação surgem na escola, como afirma Bersch & Tonolli (2006), com a finalidade de:

[…] buscar, com criatividade, uma alternativa para que o aluno realize o que deseja, ou precisa. É encontrar uma estratégia para que ele possa “fazer” de outro jeito. É valorizar o seu jeito de fazer e aumentar as suas capacidades de ação e interação, a partir de outras habilidades. […]. É a utilização do computador como alternativa de escrita, fala e acesso ao texto. É prover meios para que o aluno possa desafiar-se a experimentar e conhecer, permitindo assim, que construa individual e coletivamente novos conhecimentos. É retirar o aluno do papel de espectador e atribuir-lhe a função de ator. (BERSCH & TONOLLI, 2006, p.89).

Utilizadas como recurso auxiliar no processo ensino e aprendizagem, as Tecnologias da Informação e Comunicação têm sido cada vez mais utilizadas no meio educacional.

Atualmente, as Tecnologias da Informação e Comunicação “integram o mundo em redes e reconstroem ações sociais, políticas e culturais a partir das identidades que se formam e que influenciam e são influenciadas nas sociedades” (CASTELLS, 1999, p.38-39).

Ainda, de acordo com Castells (1999):

A capacidade humana de organização e integração, ao mesmo tempo os sistemas de informação e a formação de redes subvertem o conceito ocidental tradicional de um sujeito separado, independente: a mudança histórica das tecnologias mecânicas para as tecnologias da informação ajuda a subverter as noções de soberania e autosuficiência que serviam de âncora ideológica à identidade individual […] (CASTELLS, 1999, p.39).

O uso das tecnologias aplicadas à educação superior serve de apoio aos processos de ensino e aprendizagem, tanto como ferramenta para facilitar a prática pedagógica quanto para ampliar o acesso à educação, possibilitando reforçar o interesse e servindo como atrativo aos estudantes. Para tal, os tablets, smartphones e ou computadores, por exemplo, são ferramentas que, se o uso for bem direcionado, poderão mediar práticas pedagógicas e fortalecer o processo educacional.

Escolher a tecnologia adequada depende do assunto pedagógico a ser abordado e a relação do recurso mais apropriado para uma determinada situação de ensino e aprendizagem. De acordo com Bohn (2011), a Tecnologia da Informação e Comunicação resulta-se da fusão entre as telecomunicações, a informática, e as mídias eletrônicas e, quando utilizadas adequadamente, servem de ferramentas mediadoras do processo educacional.

Importante ressaltar que, o papel do docente mesmo diante do uso da tecnologia, é de agir mediante a construção do conhecimento, auxiliando em relação à seleção e à percepção de qual informação é relevante aprender. Importante passo é conseguir filtrar o essencial, diante a multiplicidade de meios de comunicação e de fontes de informação, oferecendo condições para desenvolver o senso crítico no estudante para a escolha da tecnologia de informação adequada ao processo no qual está inserido.

O Google Forms

Atualmente, as tecnologias de informação e comunicação fazem parte do cotidiano das pessoas, em diferentes espaços, como o espaço escolar, por exemplo, tornando-as um importante instrumento e meio colaborativo para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem (MONEREO, POZO, 2010 apud FERNANDES et all, 2018, p. 3).

Um recurso tecnológico que poderá apoiar o processo de ensino e aprendizagem com a aplicação da metodologia de Instrução por Colegas – Peer Instruction – é o Google Forms, por exemplo, que apresenta fácil acesso e não há a necessidade de cadastro prévio, o que permite maior acessibilidade aos estudantes, mesmo aqueles com menor letramento digital.

Como definição[2], o Google Forms é oferecido gratuitamente para criar formulários online. Nele, o usuário pode produzir pesquisas de múltipla alternativa, fazer questões discursivas, promover avaliações em escala numérica, entre outras opções. A ferramenta é ideal para quem precisa solicitar feedback sobre algo, organizar inscrições para acontecimentos, convites ou solicitar avaliações.

Com relação a utilização do Google Forms como recurso no ensino, entende-se que:

a aplicabilidade desse recurso no ensino é diversificada, tendo em vista que ele pode ser utilizado em todas as áreas de conhecimento. Nesse sentido, o docente pode usar essa ferramenta para avaliações, revisões e para diagnosticar o conhecimento dos discentes em relação a um determinado conteúdo. Além disso, ao se elaborar o questionário, pôde-se constatar que se trata de uma ferramenta de fácil uso. Ademais, na internet, é possível encontrar vários tutoriais com explicações detalhadas a respeito do Google Forms, o que facilita a aplicabilidade desse recurso em sala de aula pelo professor (SILVA ET ALL, 2018, apud FERNANDES, ET ALL, 2018, p. 3)).

O Google Forms como recurso de ensino numa metodologia ativa vem de encontro ao que afirma Zaballa (1998), escrito anteriormente, tal ação possibilitará uma mudança de postura na área pedagógica perante os ideais de avaliação, superando momentos unívocos de atividades que valorizam o conteúdo quantitativamente, além de permitir uma maior interação entre docente e aluno, ao modificar o formato de aplicar uma avaliação e/ou atividade. Entre outras vantagens, o Google Forms é um recurso que permite ao professor:

“um período maior para o planejamento de suas aulas e também, por meio dos resultados obtidos nos questionários aplicados, possa construir estratégias de intervenção que auxiliem os discentes no processo de ensino-aprendizagem” (SILVA et all, 2018, apud FERNANDES, 2018, p. 3).

Utilizando-se dos escritos de Fernandes et all (2018, p. 10) é importante destacar que “os professores ao se utilizarem das tecnologias digitais e suas potencialidades, devem considerá-las facilitadoras dos processos de ensino e aprendizagem e não como único meio de fazer sua prática docente”.

A APRENDIZAGEM DE CONCEITOS SOBRE PROCESSOS DETERIORATIVOS EM PESCADOS COM A UTILIZAÇÃO DO MÉTODO DE ENSINO INSTRUÇÃO POR COLEGAS

De acordo com Piaget (1973), “compreender é inventar ou reconstruir através da reinvenção, e será necessário curvar-se ante tais necessidades se o que se pretende para o futuro é moldar indivíduos capazes de produzir ou de criar, não apenas de repetir” (p.20).

Sendo assim, e de acordo com os escritos de Morin (2004), no século XXI, é desafiador para a educação formar cidadãos capazes de transformar a informação em conhecimento, além de, somente, transmitir informações e, principalmente, que saibam usar esses conhecimentos em benefício próprio e de sua comunidade.

Dessa forma, ao pensar numa educação intencional, vislumbra-se em técnicas, lugares e condições favoráveis para suscitar ideias, valores e atitudes, por exemplo, ações de ensino com objetivos pedagógicos e procedimentos didáticos. Vale ressaltar que, segundo Libâneo (1994, p. 18), “a educação escolar se destaca das demais formas de educação intencional por ser suporte e requisito delas”.

Porém, vale destacar que, segundo Scaramussa e Álvaro (2006 apud BRUTTI e orgs, 2014, p. 4)

o professor, não mais concebido como um transmissor de conhecimentos-verdades deve ser formado na perspectiva reflexiva da docência, cujo novo perfil constitui-se por um saber-fazer sólido, teórico e prático, criativo, que lhe permite decidir em contextos instáveis, enfrentar situações nem sempre previsíveis e construir respostas únicas para situações complexas e singulares. Um profissional capaz de uma atitude investigativa e reflexiva da prática pedagógica.

Nesse processo, a teoria ilumina a ação, sendo também por esta ressignificada no movimento qualitativo da educação ação-reflexão-ação, corroborando com os escritos de Freire (2006). E, para tal, a utilização do Método de ensino Instrução por Colegas – Peer Instruction – para a formação de conceitos sobre processos deteriorativos em pescados, da disciplina Tecnologia do Abate, do curso de graduação em Engenharia de Aquicultura, corrobora com os escritos de Scaramussa e Álvaro (2006) ao apresentar como base o estudo prévio de materiais indicados pelo docente e a apresentação de temas conceituais, em classe, para os alunos debaterem entre si, objetivando a promoção da aprendizagem de conceitos fundamentais, relacionados ao conteúdo em estudo, por meio da interação entre os alunos. Assim, o professor deixará de ser um “mero transmissor de conhecimentos verdades”.

Utilizando o método supracitado, o tempo em sala para transmissão de conteúdos, pelo docente, será mitigado, pois as aulas serão divididas em pequenas partes, com apresentações orais sucintas, realizadas pelo docente, cujo foco será os principais conceitos a serem trabalhados. Em seguida, serão apresentadas questões conceituais para os alunos, porém, importante ressaltar que as questões virão após uma breve apresentação oral do conteúdo pelo professor, e as respostas surgirão, primeiro individualmente e depois segue a discussão com os demais colegas de sala, com intuito de promover e avaliar a compreensão dos alunos sobre os conceitos fundamentais apresentados.

Para realizar a experiência da Instrução por Colegas, será importante a elaboração de testes conceituais com base em revisão da literatura, buscando um referencial teórico sobre o tema estudado. A partir de então, questões objetivas serão apresentadas, baseadas em livros da bibliografia básica e complementar da disciplina, além da utilização de artigos disponíveis sobre o tema trabalhado.

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[1] Possui graduação em Zootecnia pela Universidade Federal do Espírito Santo (2009) e mestrado em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Espírito Santo (2012). Em 2012 foi aprovada em concurso público atuando como professora do ensino básico, técnico e tecnológico do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus de Alegre, atuando no curso Técnico em Agroindústria e no curso superior de Engenharia de Aquicultura, ministrando disciplinas nas áreas de Tecnologia de Ovos, Pescados e Carnes . Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF (2016-2020).

[2] Disponível em: <https://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/2018/07/google-forms-o-que-e-e-como-usar-o-app-de-formularios-online.ghtml>. Acesso em 09 abr. 2020.

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